resenha: A Fada – Carolina Munhoz

Informações Técnicas

Avaliação

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Design
História

A Fada (no Skoob) – Carolina Munhoz

Editora Novo Século – 224 páginas

Pontuação total: 3 (Design: 3 | História: 3) 

Alguns jovens ganham presentes caros, passagens aéreas ou festas surpresas em seus aniversários de 18 anos. Melanie Aine ganhou o falecimento do pai, uma estranha tatuagem e a descoberta de que não era um ser humano. Como se tudo isso não fosse suficiente, Melanie ainda descobriu por detrás da enevoada e mística cidade de Londres um mundo fantástico que até poderia ignorar, se não descobrisse ser parte importante dele. Um legado que traz com ele diversas tragédias e problemas pessoais que ela não espera se adaptar, mas não sabe se terá opção. A única parte recompensadora parece ser seu encontro com um homem misterioso, oriundo de uma família bruxa poderosa, cuja relação caminha em uma linha bamba e tênue que separa afeto e fúria. Um afeto que pode levá-la à transcendência e à vida eterna. Uma fúria que pode conduzi-la à morte e ao esquecimento. Dentre muitos feitiços, lutas, criaturas mágicas e eventos sobrenaturais, “A Fada” é uma história de descobertas e superações, sobre como o amor pode fazer várias pessoas redescobrirem a vida e a magia nela.

Design

De verdade, eu acho que esperava um pouco mais deste projeto gráfico, provavelmente por ser da Novo Século que costuma ter livros mais bem produzidos. Não sei se existe uma diferenciação entre o material brasileiro e os livros estrangeiros e estes recebem um tratamento de criação melhor…

Eu achei a capa muito sombria. Ok, a história se passa em Londres e Londres = fog/neblina. Mas é uma história de fadas! Neste caso, não são fadas sombrias. Existem uma cena na história em que a personagem está sentada no chafariz da Trafalgar Square. Por que não usaram esta cena para ilustrar a capa? Nem lembro se a personagem chega a ir na Tower Bridge durante a história. Ficou parecendo que foi uma decisão do tipo “Ah, é Londres. Coloca uma moça loura em QUALQUER imagem icônica da cidade que está valendo”.

Só para não dizer que eu só falei mal da capa, ela tem uma aplicação de verniz localizado com desenhos de borboletas que você só vê se movimentar o livro contra a luz. Achei muito delicado e elegante este detalhe.

Falando do miolo, o livro é dividido em partes que são tituladas com a data e o local dos capítulos, além de terem uma ilustração que representa bem cada parte.

A mancha gráfica ficou equilibrada dentro do formato da página mas o tamanho da fonte é bem grande. E, agora isso é um gosto estritamente pessoal, a fonte que usaram para o texto do projeto gráfico é sem serifa, e para uma leitura extensa, como um livro de 224 páginas, acho uma escolha inadequada. Poderiam ter usado a mesma fonte da sinopse da quarta-capa e das orelhas.

Qual é o porquê da seleção de fontes serifadas para leitura? Simplesmente porque as serifas criam um encadeamento de letras e palavras muito mais fluido e agradável de ler do que fontes sem serifas, que são muito retas e independentes. Além disso, guiam os olhos do leitor de uma letra para outra, imprimindo ritmo e facilitando a leitura impressa (fonte). Para titulações e textos curtos como agradecimentos acho perfeito as sem serifas, mas não para um miolo inteiro.

Por último, o livro é leve, com folhas amareladas, mas como não tem colofon não dá para saber o nome nem a gramatura.

História

E se ao fazer 18 anos como presente de aniversário você ganhasse uma tatuagem estranha nas costas, a morte de seu pai e o desaparecimento de sua mãe? Melaine Aine sofre tudo isto logo no começo do livro.

A jovem passa então a viver sozinha em Londres frequentando a Trafalgar Square e visitando seus amigos Olinda e Vicento, donos de um pub próximo à praça. Melaine é uma fada – mas propriamente dizendo, é a princesa das fadas – e ela não pode voltar para sua dimensão até descobrir sua missão de vida. Enquanto isso, sua mãe foi governar Fairyland em seu lugar até que a jovem encontre o seu destino.

Porém Melaine está ficando impaciente e, durante um feitiço, ela vê o par de olhos de um rapaz e passa a acreditar que ele poderá ajudá-la a descobrir seu futuro. Mel acaba esbarrando com o dono dos olhos um dia na Trafalgar, mas ele está fugindo alucinadamente de alguma coisa e ela não consegue se aproximar.

Quando vai até a floresta próxima de sua casa, recebe um convite para ir até Fairyland. Esta é a única forma que possui para entrar na dimensão. Após uma discussão com sua mãe, Melaine volta para a terra durante uma forte tempestade. Assustada e desorientada, ela sai correndo pela floresta sem perceber que alcançou a estrada às suas margens, e desmaia depois de ser atropelada por um carro.

Ao acordar ela se encontra em um lugar estranho, mas seguro, e seus salvador nada mais é que o dono dos olhos de sua visão. Arthur Wales é um humano misterioso e encantador. Será que ele realmente possui as respostas sobre o destino e futuro de Melaine Aine?

A Fada é o livro de estreia de Carolina Munhóz. Com alguns elementos Harry Potterianos, ela construiu sua narrativa em primeira pessoa e inclusive com uma participação pessoal sua durante a narrativa.

Eu gosto do tema de fadas e o plot é interessante de uma princesa desta raça vivendo em nossa dimensão e em uma comunidade mágica. Mas eu senti em alguns momentos que a narrativa ficava meio confusa. Fiquei pensando se eu tinha que ter lido algum livro antes, se este era o segundo de uma série, porque a narrativa em alguns momentos parecia ter como pressuposto que eu já tivesse algumas informações que eu não tinha. Além do que, em algumas partes senti falta de desafio para o desenvolvimento da personagem.

Também tive um pouco de dificuldade de gostar de Melaine Aine. Ela é muito, mas muito inconstante. Em um parágrafo ela ama, odeia e volta a amar de novo. E às vezes foi confuso acompanhar suas linhas de pensamento ou concordar com suas atitudes diante de um relacionamento. Provavelmente por eu não ser nem um pouco “perturbada” como ela… :) A impressão que eu tinha era que a personagem era muito imatura para idade.

Mas posso dizer que gostei muito do final e, nas últimas partes do livro, Carolina me conquistou e conseguiu me surpreender com o desfecho. A autora tem muito potencial e escolheu um tema meio em falta no mercado. As fadas ainda não conquistaram o devido espaço que merecem.

Estou ansiosa pelo seu mais novo lançamento, O Inverno das Fadas, para acompanhar a sua evolução.

Até a próxima! o/

4 Comentários

  1. Não é o tipo de livro sobre Fadas que me atrai. Não acho Londres o cenário ideal para elas. Acho que fadas combinam mais com florestas tropicais ou lugares mais ensolarados, entende?
    hahaha
    Mas parece ser interessante.
    Bjuxxxxx

    1. Oi Poly!

      Estranho você achar que fadas combinam com florestas tropicais. O mito é original lá das ilhas britânicas, do povo celta e dos nórdicos.

      Mas entendo que as fadas de Ferngully também são legais e vivem em um ambiente bem tropical.

      Para mim acho que não importa muito o lugar em que elas estejam contanto que seja uma ótima história de fantasia. :)

      Beijos!

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